SANTARÉM
domingo, 11 de outubro de 2026
SANTARÉM
Postado emSantarém

Festival dos Botos celebra cultura amazônica em Alter do Chão

Publicidade
Festival dos Botos celebra cultura amazônica em Alter do Chão
Festival dos Botos celebra cultura amazônica em Alter do Chão

Na noite deste sábado (19), o Lago dos Botos se transformou em um grande espaço de celebração da cultura e da tradição amazônica. Protagonizada pelos botos Cor de Rosa e Tucuxi, a programação do Festival dos Botos reuniu um grande público, que tomou conta do espaço nas cores verde e rosa para acompanhar os espetáculos que exaltaram a história, a ancestralidade e os saberes dos povos do Tapajós.

O Festival dos Botos, ao longo dos anos, tornou-se uma tradição que atravessa gerações, fortalecendo a identidade cultural da Vila de Alter do Chão e mantendo vivas as histórias, os saberes e as encantarias do povo amazônico.

O Boto Cor de Rosa abriu a noite de apresentações levando ao Lago dos Botos o tema “Tapajônica – A História Não Contada”. O espetáculo mergulhou na oralidade dos povos do Tapajós para apresentar histórias que atravessam gerações e que, muitas vezes, não estão registradas nos livros, mas permanecem vivas na memória e na voz daqueles que habitam o território.

A apresentação destacou a relação profunda entre os povos, as águas e as matas, reconhecendo a natureza como parte fundamental da criação, da existência e da identidade amazônica.

“A gente trouxe o povo Borari como protagonista na história de Alter do Chão, reforçando também a importância de preservar os saberes ancestrais. É uma felicidade mostrar no lago todo o resultado da nossa preparação”, destacou Tiago Vasconcelos, presidente da Associação Folclórica Boto Cor de Rosa.

Ao longo do espetáculo, o Boto Cor de Rosa também exaltou os ritmos, os saberes e a rotina daqueles que têm nas águas seu caminho e seu modo de vida. A apresentação buscou reforçar que, nas águas sagradas do Tapajós, o rio é território de memória, amor e sabedoria.

“A região do Baixo Tapajós abriga 14 povos indígenas, que contam muitas histórias. E durante a nossa apresentação buscamos trazer um apanhado de memórias, tanto na apresentação falada quanto na comunicação gestual e coreografada. O sentimento é de dever cumprido”, destacou Theo Neves, apresentador do Boto Cor de Rosa.

O espetáculo também trouxe para o centro da narrativa a força do rio como elemento que conta histórias e atravessa gerações. Remar pelas águas do Tapajós é, na apresentação, enfrentar o banzeiro e, ao mesmo tempo, navegar pela essência de um povo que tem sua identidade profundamente ligada ao rio.

Na sequência, o Boto Tucuxi entrou na arena com o tema “Iburari, Ocara Sagrada”, apresentando ao público uma narrativa sobre a história e a identidade do povo Borari.

A proposta do grupo parte de Iburari, denominação histórica associada ao território onde se consolidou o aldeamento que deu origem à atual Vila de Alter do Chão, para abordar a formação desse povo e as transformações vivenciadas ao longo do tempo.

O espetáculo trouxe como elemento central a Ocara Sagrada, compreendida como espaço de convivência, celebração e transmissão de conhecimentos. A partir desse conceito, o Tucuxi estabeleceu um diálogo entre diferentes momentos da história Borari, incluindo o período colonial e a permanência de sua identidade cultural, valorizando a continuidade dos saberes e das tradições entre as gerações.

“Transformamos em força a memória afetiva de pessoas que nos deixaram e passaram pelo Tucuxi. Somos muito apaixonados pelo que fazemos e trazer esse amor para o Lago dos Botos faz toda a diferença”, destacou Ana Maria, presidente do Grupo Sociocultural Boto Tucuxi.

A apresentação do Boto Tucuxi também celebrou a vida e a fartura, destacando a participação coletiva na preservação da força ancestral. Por meio do conjunto folclórico, diferentes gerações se reuniram em torno do carimbó e das tradições de Iburari, reafirmando a presença da cultura Borari e a importância da continuidade desses saberes.

“Hoje tenho um lago para sentir meu amor. São anos de dedicação, envolvimento e muito amor. Carregamos o legado daqueles que passaram pelo Boto Tucuxi e ainda aqueles que irão chegar. Muita gratidão”, destacou Daniela Tapajós, cabocla Borari.

Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, o Festival dos Botos representa a força da cultura amazônica e a capacidade do Sairé de manter vivas histórias que atravessam gerações.

“O Festival dos Botos é uma celebração daquilo que somos. É a nossa memória ganhando voz, forma, música e movimento. Quando Cor de Rosa e Tucuxi entram no Lago dos Botos, eles não apresentam apenas um espetáculo: apresentam histórias, saberes, crenças e identidades que pertencem ao nosso povo. O Sairé tem essa força de transformar a tradição em experiência viva, aproximando as novas gerações de uma cultura que precisa ser conhecida, valorizada e preservada”, destacou.

A noite no Lago dos Botos reafirmou, assim, a força do Festival como espaço de expressão da cultura amazônica. Entre cores, música, dança, carimbó, encantarias e narrativas sobre o território, Cor de Rosa e Tucuxi levaram ao público diferentes formas de contar e vivenciar a história de Alter do Chão e dos povos que construíram essa identidade.

Além de uma disputa entre duas agremiações, o Festival dos Botos já se tornou uma manifestação cultural que reúne memória e preserva saberes. É onde o encontro entre diferentes gerações onde a tradição continua sendo vivenciada como parte da identidade local.

A realização do Sairé 2026 – “Rêdawa Ancestral”, em Alter do Chão, reafirma a força da cultura, da tradição e da ancestralidade amazônica, tendo como destaques o Rito Tradicional e a apresentação oficial dos Botos Rosa e Tucuxi. O projeto é viabilizado por meio dos mecanismos de incentivo cultural da Lei Rouanet e do Semear – Programa Estadual de Incentivo à Cultura, que possibilitam a participação de importantes patrocinadores, como Equatorial Energia, Banpará, Coca-Cola, Amstel, Vivo, Caixa e Companhia Docas do Pará. A iniciativa conta ainda com o apoio da MANÁ Produções, Assessoria Cultural, Borari Produções, Secretaria de Estado de Cultura do Pará e Fundação Cultural do Estado do Pará, e tem realização da Prefeitura de Santarém e da Comunidade de Alter do Chão, fortalecendo uma das mais importantes manifestações culturais do Pará e promovendo a valorização e a salvaguarda dos saberes e tradições do povo Borari.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn
📬
Fique por dentro de Pará Receba as principais notícias no seu e-mail, gratuitamente.


    ← Anterior 35% dos empreendedores brasileiros possuem CNPJ, aponta IBGE Próxima → Benevides entrega EMEIF Gerson Peres reformada à comunidade do Taiassuí