sábado, 10 de outubro de 2026
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Artesanato Warao destaca ancestralidade do buriti na Feira de Artesanato

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Artesanato Warao destaca ancestralidade do buriti na Feira de Artesanato
Artesanato Warao destaca ancestralidade do buriti na Feira de Artesanato

O buriti, considerado sagrado pelo povo Warao, é conhecido como “fruto da vida” e está presente em diversos aspectos do cotidiano da etnia venezuelana. No Brasil e na Venezuela, o fruto é utilizado como alimento, remédio, filtro de água e cosmético. Da árvore e suas fibras, são produzidos utensílios, roupas, mochilas e redes. A larva que cresce no buritizeiro, chamada de “moo”, também é uma fonte nutritiva e cultural.

A ligação dos Warao com o buriti pode ser vista na Feira de Artesanato do Círio (FAC), onde peças que refletem a ancestralidade e a história da etnia são expostas. No espaço Mundo Amazônia da FAC, Gardênia Cooper, de 36 anos, apresenta seu trabalho, que representa o vínculo com sua terra natal, onde ainda tem familiares. O artesanato é uma forma de sustentar sua família, composta por quatro filhos e netos, e é o segundo ano em que ela participa do evento, que conta com uma rede de 107 artesãos Warao no Pará.

“Aprendi o artesanato com a minha mãe e como aproveitar o buriti, que é uma fruta sagrada para nós. A água do buriti nós chamamos de água da vida. Foi um começo difícil quando cheguei aqui. Como muitos, comecei pedindo ajuda com uma placa na rua. Logo me senti à vontade quando percebi como aqui valorizam o artesanato”, diz Gardênia, que agradece a parceria entre Acnur e Sebrae no Pará.

As miçangas criadas pela artesã retratam a vida na floresta e a transição para o Brasil. Na FAC, essas histórias são contadas em brincos e colares a partir de R$ 20. Os visitantes também podem encontrar artesanatos funcionais, como cestos e utensílios. Uma das peças mais importantes é a rede de dormir ortopédica, feita de fibra de buriti, que é benéfica para a coluna e pode custar até R$ 1 mil.

Ludmilla Silva, assistente de campo da Acnur, destaca que a agência está em Belém desde 2019, quando a crise na Venezuela gerou um fluxo de refugiados Warao. O Pará se tornou uma porta de entrada para o Brasil, e a parceria com o Sebrae/PA busca incluir o povo Warao na sociedade brasileira, tanto econômica quanto socialmente.

<p“O artesanato faz parte da cultura indígena Warao e é um bem da ancestralidade. Além das miçangas, eles também produzem itens com a fibra do buriti. Para uma população que chegou em situação de vulnerabilidade, ter uma fonte de renda é essencial para garantir acesso a necessidades básicas como alimentação e moradia”, conclui Ludmilla.

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