A colaboração entre pesquisadores brasileiros e britânicos ganhou destaque com um workshop internacional realizado em Belém, entre 12 e 17 de outubro. O evento reuniu cientistas em início de carreira, especialistas e representantes de comunidades tradicionais para discutir pesquisas sobre sociobiodiversidade, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
O encontro resultou na elaboração de seis propostas de pesquisa interdisciplinares e na assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade de Birmingham, visando fortalecer a cooperação acadêmica e científica. A iniciativa, promovida pelo British Council, foi realizada pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da UFPA e pelo Brazil Institute da Universidade de Birmingham.
Intitulado ‘Sociobiodiversity, Mobility and Climate Action in the Amazon’, o workshop buscou conectar a produção científica às realidades sociais e ambientais da região, incorporando conhecimentos de populações tradicionais. Angelo Martins, codiretor do Brazil Institute, enfatizou a importância de discutir o futuro da Amazônia em seu próprio território, especialmente em um momento crítico para a crise climática e a conservação da biodiversidade.
O evento incluiu a participação de representantes de comunidades quilombolas, extrativistas e indígenas, que compartilharam experiências sobre a proteção de seus territórios e os desafios enfrentados. A professora Nírvia Ravena, coordenadora do workshop, ressaltou a importância do diálogo entre pesquisadores e populações tradicionais para aumentar o impacto social da ciência.
Atividades de campo também foram parte da programação, permitindo que os participantes conhecessem iniciativas de valorização dos produtos da floresta e práticas de bioeconomia. Visitas a locais como a Fábrica de Chocolate Filhas da Ilha e ao Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém proporcionaram uma compreensão mais profunda sobre o uso sustentável dos recursos naturais e a organização comunitária.
O workshop também promoveu discussões sobre arte, ciência e engajamento público, com a participação de artistas e líderes indígenas, ampliando as perspectivas sobre a produção e comunicação de conhecimentos relacionados à Amazônia.
