O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) expressa seu profundo pesar pelo falecimento da professora Zélia Amador de Deus, reconhecida por sua atuação na luta antirracista e no combate ao racismo ambiental. Ela faleceu na terça-feira, 8 de setembro, em Belém, aos 74 anos.
Zélia, natural de Salvaterra, era doutora em Ciências Sociais e recebeu em 2019 o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde lecionava desde 1978. A universidade destacou sua contribuição ao ensino de teatro, estética e história da arte, além de sua participação na criação do Núcleo de Arte, precursor do Instituto de Ciências da Arte (ICA).
Na UFPA, Zélia também ocupou cargos de direção, como a liderança do Centro de Letras e Artes (CLA) e a vice-reitoria. Ela foi fundamental na criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e na implementação de políticas de inclusão para estudantes negros, pardos e indígenas.
Como militante antirracista, Zélia cofundou o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) em 1980, que colaborou com o Imazon em iniciativas como a Campanha Justiça Climática na Amazônia, abordando o racismo ambiental na região.
Em uma de suas entrevistas, Zélia afirmou: “O racismo ambiental é uma modalidade de racismo que joga as pessoas negras para os locais com as piores condições.” Sua luta e dedicação à causa ambiental e social deixaram um legado significativo.
Recentemente, a UFPA homenageou sua trajetória com o plantio de um baobá, símbolo de resistência e memória ancestral africana, um gesto que agora se torna ainda mais significativo. O Imazon se solidariza com familiares, amigos e admiradores de Zélia neste momento de luto, ressaltando que seu legado permanecerá na história da luta antirracista na Amazônia.