Uma semana dedicada à arte, à cultura, às diferentes linguagens e à memória. Assim foi a 20ª Primavera dos Museus no Campus Universitário de Abaetetuba, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Realizado de 21 a 25 de setembro, o evento foi promovido pelo Museu do Baixo Tocantins, sob coordenação do professor Jones Gomes, e integrou a programação nacional do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
Com o tema “Museus para todas as pessoas”, a edição deste ano propôs ampliar o diálogo sobre o direito à memória, ao patrimônio cultural, à participação e ao pertencimento. A programação também buscou aproximar o museu da comunidade e valorizar artistas e mestres da cultura da região. Segundo o professor Jones Gomes, a temática possibilitou ampliar o acesso aos espaços do museu e criar oportunidades para produtores de arte e cultura. “A possibilidade de a gente abrir os nossos espaços para todos os tipos de público, mas também para aqueles que produzem arte e cultura nas regiões em que os museus estão localizados. Então, a ideia é exatamente esta: que, por intermédio do Museu do Baixo Tocantins, que é um museu universitário, a gente possa acolher todos os públicos e também possa dar oportunidade àqueles mestres e àquelas mestras da cultura que não têm outros lugares e outras possibilidades de expor as suas produções e criações”, afirmou.
Programação valorizou cultura e memória – No Campus de Abaetetuba, a programação começou na segunda-feira, 21, com visitas escolares. Estudantes de escolas públicas e particulares conheceram o Museu do Baixo Tocantins e a casa ribeirinha que integra o acervo do espaço. Ainda no primeiro dia, foi realizada a oficina “Reconstruindo sons e sentidos do tambor ancestral”, mediada pelo mestre Raildo Peixoto. Ao longo da semana, a atividade trabalhou a ancestralidade usando o tambor afro-brasileiro, relacionando cultura e sustentabilidade. Os instrumentos utilizados na oficina foram construídos com tubos de policloreto de vinila (PVC) que estavam disponíveis na universidade.
A programação incluiu também o minicurso “Produção de documentação em acervos de museus”, ministrado pela professora Jessica Tarine e pela estudante Sarah Nazik, ambas do curso de Museologia da UFPA. Durante a semana, o público também pôde acompanhar exposições de pinturas, oficinas, lançamentos de livros e apresentações culturais. Entre as atrações, esteve o Batuque da Lua Cheia, grupo de carimbó de Abaetetuba que realiza apresentações nas noites de luar.
Para Jones Gomes, a Primavera dos Museus representa uma oportunidade de fortalecer a relação entre a universidade e a comunidade. “A Primavera tem um link íntimo conosco, porque o museu começou a adentrar no Sistema Nacional de Museus a partir da Primavera, em 2019, e um dos parâmetros que a gente tem que avaliar é que estamos caminhando neste processo, de estar oferecendo não só serviços, não só oportunidades de as pessoas visitarem a universidade, mas também uma programação cultural que visa qualificar quem está trabalhando conosco, as pessoas que têm relação com a cultura e que, de certa forma, precisam dessa qualificação”, pontuou.
Literatura encerrou a programação – A programação da 20ª Primavera dos Museus no Campus de Abaetetuba foi encerrada com um lançamento de livros que reuniu três autores vinculados ao campus. As obras apresentadas abordam diferentes formas de preservar e compartilhar histórias, saberes e experiências relacionadas aos territórios amazônicos. Foram lançados os livros Uraci, a mãe das frutas, do professor Jones Gomes; O corpo que ensina: o teatro como ato humanizador inclusivo no processo de ensino e aprendizagem, do estudante de Pedagogia Augusto Neves; e , do estudante de Pedagogia Oscarlito Moraes. A programação reforçou o papel do Museu do Baixo Tocantins como espaço de preservação da memória, difusão cultural e aproximação entre universidade e comunidade.