Uma ação conjunta entre o Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (ICB/UFPA) e a Secretaria de Saúde Pública de Melgaço levou acesso a diagnósticos e tratamentos a comunidades do arquipélago do Marajó. As equipes navegaram pelas baías do Guampa, Capim e Marapatá, até a baía de Melgaço, para ampliar a oferta de serviços essenciais em regiões marcadas por grandes distâncias e dificuldades de deslocamento.
Durante a expedição, foram realizadas ações de territorialização, mapeando vulnerabilidades sociais, ambientais, educacionais e de saúde. O objetivo foi aproximar a gestão municipal das reais necessidades das populações do campo, da floresta e das águas, direcionando a assistência integral aos grupos mais vulneráveis.
Um dos eixos centrais foi o Projeto “Busca ativa de casos de hanseníase e de tuberculose”, coordenado pelo professor Pablo Diego do Carmo Pinto (ICM/UFPA). Em vez de aguardar a procura espontânea por unidades de saúde, a equipe realizou visitas domiciliares orientadas por análise de epidemiologia espacial, favorecendo o diagnóstico oportuno, o início imediato do tratamento e a interrupção das cadeias de transmissão.
Também estiveram envolvidos os projetos “GenomaSUS”, coordenado pela professora Andrea Kely Campos Ribeiro dos Santos (ICB/UFPA), que estuda a diversidade genética da população para a saúde de precisão no SUS, e “Amazônia +10”, do professor Sidney Santos (ICB/UFPA), que avaliou a qualidade microbiológica das águas da bacia do Marajó. O projeto “Inteligência territorial para o planejamento estratégico em saúde”, do professor Moises Silva, integrou geoprocessamento e análise espacial para mapear riscos e orientar intervenções.
A ação atendeu 89 pessoas pelo GenomaSUS, produziu mais de 30 diagnósticos de diferentes condições de saúde e alcançou mais de 330 domicílios na territorialização. Além disso, mais de 20 profissionais da Atenção Primária à Saúde foram capacitados em serviço, fortalecendo a capacidade local de atendimento.
“Esses resultados demonstram que a ação se firma não como uma expedição assistencial, mas sim como um projeto que integra o tripé de ensino-pesquisa-extensão e integração com os serviços de saúde local”, destacou o professor Moises Silva. A iniciativa contou com a participação da Residência Multiprofissional em Biomedicina do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), que colaborou com atividades laboratoriais e educação em saúde.
