A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo trimestre de 2026, entre abril e junho. A unidade estadual, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, ocupa o topo do ranking há cinco anos consecutivos, segundo relatório do Imazon.
O Pará também se destacou por concentrar o maior número de áreas protegidas entre as mais afetadas: além da APA Triunfo do Xingu, outras três unidades no estado estão entre as mais pressionadas. Na sequência aparecem o Acre, com três áreas, e Mato Grosso, com duas.
Os dados fazem parte do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, do Imazon, que monitora o avanço do desmatamento sobre unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal. O estudo distingue territórios sob ameaça (desmate no entorno) e sob pressão (desmate dentro dos limites).
“A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental das populações tradicionais. Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, avalia o pesquisador Carlos Souza Jr.
O Pará também lidera o ranking de estados com mais territórios ameaçados: cinco áreas protegidas paraenses estão entre as mais ameaçadas. No Acre, a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes foi a mais ameaçada e a segunda mais pressionada no período.
“A situação da Resex Chico Mendes exige atenção porque reúne dois sinais de alerta. Ao mesmo tempo em que o desmatamento já ocorre dentro da unidade, novas áreas de derrubada avançam em seu entorno. Isso indica que, se as ações de proteção não forem reforçadas, a pressão sobre o território tende a aumentar, ampliando os riscos para a floresta e para as populações locais”, observa a pesquisadora Bianca Santos.
Entre as terras indígenas, a Yanomami (Amazonas/Roraima) e o Parque Indígena do Xingu (Mato Grosso) tiveram mais alertas. O Amazonas concentra o maior número de TIs pressionadas, com quatro entre as dez mais. Já entre as ameaçadas, destacam-se a Baú (PA) e a Araribóia (MA), além da Trincheira/Bacajá (PA), que foi a mais ameaçada em 2025.
