quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Patente da UFPA amplia armazenamento de energia solar em comunidades isoladas da Amazônia

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Patente da UFPA amplia armazenamento de energia solar em comunidades isoladas da Amazônia
Patente da UFPA amplia armazenamento de energia solar em comunidades isoladas da Amazônia

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) para ampliar a capacidade de armazenamento de energia solar em comunidades isoladas da Amazônia recebeu patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A invenção permite incorporar baterias de lítio disponíveis no mercado a sistemas de geração já existentes, sem a necessidade de substituir a infraestrutura elétrica instalada, reduzindo custos e ampliando a autonomia energética de comunidades atendidas por microrredes solares.

Na Ilha das Onças, em Barcarena, a tecnologia integra uma pequena rede elétrica que atende a 11 residências e uma igreja. A eletricidade produzida pelos painéis solares é usada na iluminação e no funcionamento de refrigeradores, televisores, bombas de água e motores utilizados no processamento de polpas de frutas. Parte da energia produzida durante o dia é armazenada em baterias para ser utilizada à noite ou em períodos de menor incidência solar, ajudando a manter o abastecimento de água, a conservação de alimentos e as atividades domésticas e produtivas da comunidade.

“A tecnologia visa flexibilizar e aprimorar a capacidade de armazenamento distribuída em microrredes de corrente contínua de estrutura aberta e alimentadas por energia solar fotovoltaica”, explica o professor da UFPA e um dos inventores da solução, Wilson Negrão Macedo. Em comunidades ribeirinhas, o acesso à energia pode apoiar a educação, o saneamento e a geração de renda, permitindo o uso de computadores, bombas de água, refrigeração de alimentos e processamento de produtos locais. O sistema prevê ainda a possibilidade de recarregar pequenas embarcações elétricas utilizadas em deslocamentos locais.

A solução utiliza dois equipamentos que controlam o carregamento e o fornecimento de energia. O primeiro é ligado aos painéis solares e às baterias de lítio de 48 volts; o segundo conecta as baterias à rede de 24 volts que distribui energia elétrica às residências. Essa configuração permite usar as novas baterias sem substituir a estrutura existente nem alterar a tensão da rede. O sistema também pode ser programado para definir quando a energia armazenada deve ser liberada, considerando a quantidade disponível nas baterias e o consumo da comunidade.

A tecnologia foi criada como alternativa a equipamentos comerciais de conversão de energia de maior capacidade, que têm custo mais elevado e são mais difíceis de obter no mercado nacional. O uso de componentes disponíveis no mercado facilita a compra de peças, a manutenção e a instalação da solução em outras localidades. A invenção é adequada para redes de tensão não reguladas, uma vez que os conversores convencionais com saída regulada não operam adequadamente nesse tipo de rede.

A tecnologia recebeu do INPI a patente nº BR 102024022872-3, concedida à UFPA e válida por 20 anos, contados a partir de novembro de 2024. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae) da UFPA, um dos grupos mais antigos do Brasil a trabalhar com fontes renováveis de energia, principalmente solar e eólica, e com a sua combinação em sistemas híbridos de produção de eletricidade.

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