O infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da USP, afirma que a febre do Nilo Ocidental não deve gerar pânico, apesar dos casos confirmados no Brasil. A doença, conhecida na África há pelo menos 90 anos, tem a maioria dos casos leves, com menos de 1% evoluindo para formas graves.
“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal”, disse o médico, ressaltando que o contato com aves não é suficiente para transmitir a doença.
A transmissão ocorre pela picada de mosquitos do gênero Culex, que adquirem o vírus ao se alimentar de aves infectadas. Os sintomas são semelhantes aos de dengue, zika e chikungunya, podendo variar de febre passageira a quadros graves como encefalite e meningite.
Não há vacina ou tratamento antiviral específico; o manejo é sintomático, com repouso e hidratação. O diagnóstico é clínico e laboratorial, indicado para quem tem histórico de exposição a áreas com mosquitos.
Em São Paulo, dois casos foram confirmados: uma mulher de 34 anos, já curada, e uma adolescente de 18 anos, internada. Santa Catarina registrou dois casos, com uma morte, e há um caso provável no Piauí. As autoridades seguem investigando e mantêm vigilância epidemiológica.
